A 7 de Fevereiro de 1952 morria Sebastião da Gama, professor e poeta de Azeitão. No dia seguinte, no mesmo ano, o meu pai celebrava os seus 17 anos. Sem qualquer nexo entre as datas, senão a próximidade no calendário das efermérides, hoje recordo ambos. Não consta em qualquer registo ou memória que se tenham conhecido. Nem a curta coincidência temporal em que as suas vidas se sobrepuseram permitiu tal contacto. Porém o jovem poeta - morreu com 27 anos, pelo que terá merecido a eterna juventude - transporta nos seus versos essa robusta certeza da dependência de Deus, certeza essa que quero recordar nesta data. «A corda tensa que eu sou, o Senhor Deus é quem a faz vibrar» . Sebastião da Gama Estou certo da fé do meu pai: pelo seu testemunho, pelo seu olhar, pelo amor que me tinha. Mas não é da fé do meu pai que vos quero falar; é da minha. Nos breves momentos que nos permitimos à contemplação nesta vida célere que construímos - em geral, horas roubadas à noite e ao sono - relembro t...
«Meu amigo: se tens desejos de ser grande, faz-te pequeno.» S.J.E.B.