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Mensagens

A julgar que vou remando...

A 7 de Fevereiro de 1952 morria Sebastião da Gama, professor e poeta de Azeitão. No dia seguinte, no mesmo ano, o meu pai celebrava os seus 17 anos.  Sem qualquer nexo entre as datas, senão a próximidade no calendário das efermérides, hoje recordo ambos. Não consta em qualquer registo ou memória que se tenham conhecido. Nem a curta coincidência temporal em que as suas vidas se sobrepuseram permitiu tal contacto. Porém o jovem poeta - morreu com 27 anos, pelo que terá merecido a eterna juventude - transporta nos seus versos essa robusta certeza da dependência de Deus, certeza essa que quero recordar nesta data. «A corda tensa que eu sou, o Senhor Deus é quem a faz vibrar» . Sebastião da Gama Estou certo da fé do meu pai: pelo seu testemunho, pelo seu olhar, pelo amor que me tinha. Mas não é da fé do meu pai que vos quero falar; é da minha. Nos breves momentos que nos permitimos à contemplação nesta vida célere que construímos - em geral, horas roubadas à noite e ao sono - relembro t...
Mensagens recentes

Ainda não sei bem como consegui

Carta para o teu avô e meu pai; (se ele fosse vivo, eu não precisaria escrever...) M eu amor pequenino, Talvez haja ainda muito tempo para contar esta história, embora nunca seja demais recordar esse dia que mudou para sempre a minha vida e que faço questão que conheças, para que saibas e nunca esqueças de onde vens. Além disso, como aprenderás, o "talvez" é averso a certezas. E uma das coisas que mais me importa que retenhas é que o tempo que vivemos não é nosso, mas algo que nos foi dado viver. Por essa razão ele pode ser-nos retirado a qualquer momento e aquilo que existe hoje e agora pode não existir amanhã ou depois. É por isso - e digo-to com a certeza inscrita na carne - que para não nos condenarmos a viver no arrependimento, não devemos nunca adiar ou calar palavras gentis por medo, vergonha ou reverência, sob pena de perdermos a oportunidade de as pronunciar e de com elas aumentarmos o rol de falhas pelas quais prestaremos contas a Deus. Do mesmo modo (não...

A minha tia Ana Maria

Uma das primeiras contingências da nossa vida é a família em que nascemos. Não a escolhemos e ela não nos escolhe a nós. Não escolhemos os genes, o feitio, as virtudes e a forma física dos nossos antepassados que queremos para nós, nem o ambiente familiar ou a classe social em que crescemos. Do mesmo modo, os nossos pais não puderam colocar-nos no sangue aquelas características que gostariam que tivéssemos. Somos um fruto incerto. Nada sabemos de nós e dos que nos rodeiam. Mas somos dotados de liberdade intrínseca para fazermos escolhas e trilharmos o nosso caminho, com todas as pedras que ele contenha e que inesperadamente nos surjam. Tive sorte: posso dizer que devo à providência a graça de ter nascido numa família grande. Uma família grande que é uma grande família. Os Freire Torres, uma família que, por defeito ou feitio, não conheço na sua totalidade. Mas uma família que amo de forma incondicional e entre a qual me sinto sempre… em família. Sangue do meu sangue, carne d...